Ração medicamentosa não tem medicamento. Entenda o papel da alimentação no tratamento do seu cão

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Ração medicamentosa não tem medicamento. Essa afirmação pode surpreender muitos tutores, principalmente porque o próprio nome cria a impressão de que existe algum princípio ativo dentro daquele alimento capaz de tratar uma doença.

No entanto, não é isso que acontece.

O termo ração medicamentosa se popularizou entre os tutores. Tecnicamente, porém, estamos falando de alimentos formulados para auxiliar no manejo nutricional de determinadas condições de saúde.

No Brasil, o Ministério da Agricultura e Pecuária utiliza a classificação alimento coadjuvante. Segundo o próprio MAPA, esse tipo de alimento se destina a animais com distúrbios fisiológicos ou metabólicos e sua formulação não contém agente farmacológico ativo.

Você pode consultar essa definição diretamente na página oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre alimentos para animais de companhia.

Portanto, existe uma diferença fundamental entre medicamento e alimentação.

O medicamento exerce uma ação farmacológica. Já a dieta utiliza nutrientes, ingredientes e proporções específicas para auxiliar no manejo nutricional de determinada condição.

Compreender essa diferença muda completamente a forma como enxergamos a nutrição de um cão que apresenta alguma doença.

Se a ração medicamentosa não tem medicamento, por que ela é utilizada?

Porque a alimentação também pode fazer parte do manejo da saúde.

Dependendo da condição do cão, o médico veterinário pode precisar controlar ou modificar determinados nutrientes da dieta.

Em uma doença renal, por exemplo, fósforo, quantidade e qualidade das proteínas, ingestão energética e outros componentes da alimentação podem exigir atenção específica.

Em determinadas doenças gastrointestinais, por outro lado, digestibilidade, teor de gordura, fibras e fontes proteicas podem ganhar maior importância.

Já diante de suspeita de reação adversa a algum alimento, a estratégia nutricional pode envolver uma dieta de eliminação cuidadosamente controlada.

Portanto, a lógica não está em colocar um remédio na comida.

A lógica está em utilizar a composição nutricional como parte do manejo da condição clínica.

O Merck Veterinary Manual explica o papel da nutrição no manejo de doenças em cães e gatos e ressalta um ponto importante: embora poucas doenças possam ser tratadas exclusivamente pela dieta, a nutrição representa uma parte importante do manejo clínico. Além disso, determinadas condições podem exigir restrição ou aumento de nutrientes específicos.

Ração medicamentosa não substitui tratamento veterinário

Esse é provavelmente o ponto mais importante deste conteúdo.

Uma dieta terapêutica não substitui medicamentos quando eles são necessários. Além disso, não substitui exames, diagnóstico ou acompanhamento veterinário.

Na realidade, alimentação e tratamento podem trabalhar juntos.

Por isso, quando falamos sobre nutrição para um cão com alguma condição clínica, não devemos criar uma disputa entre alimentação e medicina.

A pergunta correta é outra:

Como podemos utilizar a alimentação para favorecer o manejo nutricional enquanto o tratamento veterinário atua sobre a doença?

É nesse ponto que a nutrição se torna uma ferramenta extremamente importante.

Alimentação Natural também pode fazer parte desse manejo?

Sim, desde que exista formulação adequada às necessidades nutricionais do animal e acompanhamento profissional.

E esse é um ponto que muitos tutores ainda desconhecem.

Quando o veterinário recomenda uma estratégia nutricional específica, o objetivo está nos nutrientes e nas características que aquela dieta precisa oferecer.

Dependendo da doença, do estágio clínico e da avaliação profissional, uma Alimentação Natural corretamente formulada também permite trabalhar ajustes nutricionais específicos.

Nesse caso, porém, não estamos falando simplesmente de oferecer carne, arroz e legumes.

Estamos falando de nutrição individualizada.

O grande benefício da Alimentação Natural está na possibilidade de personalização

Cada cão apresenta uma história diferente.

Dois cães podem receber o mesmo diagnóstico e, ainda assim, apresentar pesos diferentes, idades diferentes, níveis de atividade diferentes, preferências alimentares diferentes e até outras condições clínicas simultâneas.

Por isso, uma das grandes vantagens da Alimentação Natural está na possibilidade de trabalhar a dieta de forma individualizada.

Dependendo da orientação profissional e da condição clínica, é possível ajustar aspectos como:

Quantidade e fonte de proteína

Teor de gordura

Fontes de carboidratos

Quantidade e tipo de fibras

Teor de determinados minerais

Densidade energética

Umidade da alimentação

Ingredientes utilizados

Palatabilidade

Volume das refeições

Consequentemente, a dieta deixa de olhar apenas para o nome da doença e passa a considerar o cão que está convivendo com ela.

Inclusive, a escolha dos carboidratos pode fazer parte dessa personalização. Já explicamos no blog da Natuzlev Dog o papel desse nutriente e como diferentes condições exigem avaliação individual no conteúdo sobre batata doce na dieta canina.

Doença renal é um bom exemplo do papel da alimentação

A doença renal crônica ajuda a entender por que nutrição e tratamento não devem ser vistos separadamente.

Nesse quadro, o manejo nutricional pode incluir controle de fósforo, adequação das proteínas e atenção à ingestão energética. Além disso, condição corporal, massa muscular e hidratação precisam ser acompanhadas.

O Merck Veterinary Manual apresenta as recomendações nutricionais para cães e gatos com doença renal crônica. Segundo a referência, animais com doença renal crônica alimentados com dietas renais, caracterizadas por baixo teor de fósforo e quantidades moderadas de proteína de alta qualidade, apresentam maior sobrevida e maior intervalo até crises urêmicas.

Portanto, nesse caso, a nutrição não representa um detalhe do tratamento. Ela integra o manejo da doença.

Ainda assim, cada paciente precisa de avaliação veterinária e acompanhamento periódico.

Ou seja, novamente chegamos ao mesmo princípio: comida não é medicamento, mas a composição da comida pode influenciar diretamente o manejo de uma doença.

E quando o problema envolve alergia ou reação alimentar?

Aqui a alimentação também pode assumir um papel importante.

Coceiras, manifestações gastrointestinais e outros sinais podem estar associados a reações adversas aos alimentos. Entretanto, nem toda coceira significa alergia alimentar e nem todo problema intestinal nasce no pote.

Por isso, diagnóstico importa.

Quando existe suspeita de reação alimentar, uma das ferramentas utilizadas na medicina veterinária é a dieta de eliminação. Nesse processo, o profissional controla cuidadosamente os ingredientes oferecidos e observa a resposta clínica do animal.

Uma revisão científica disponível no PubMed sobre reações adversas aos alimentos em cães e gatos destaca que a resposta a uma dieta de eliminação e o retorno dos sinais após uma provocação alimentar continuam sendo elementos centrais no diagnóstico e no manejo dessas reações.

Nesse contexto, uma dieta natural formulada especificamente para aquele cão oferece uma característica interessante: maior controle sobre quais ingredientes entram no pote.

Porém, isso não significa que qualquer receita caseira sirva como dieta de eliminação. O protocolo precisa ser definido e acompanhado pelo profissional responsável.

Hidratação também pode fazer parte do manejo nutricional

Outro aspecto interessante da Alimentação Natural é a presença de água na própria refeição.

Isso pode ser relevante em situações nas quais aumentar a ingestão hídrica faça parte da estratégia definida pelo profissional.

Enquanto alimentos secos possuem pouca umidade, refeições naturais cozidas carregam água em sua própria composição.

Além disso, dependendo da necessidade do cão, é possível trabalhar estratégias para aumentar a ingestão de líquidos durante as refeições.

Já falamos sobre esse assunto no blog da Natuzlev Dog no conteúdo Cachorro está bebendo menos água no outono? Veja como aumentar a hidratação de forma natural.

Essa relação ajuda a perceber que nutrição não envolve somente proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais.

Água também é nutriente.

Personalizar não significa retirar nutrientes aleatoriamente

Existe um cuidado importante aqui.

Ao descobrir que determinado nutriente precisa ser controlado em uma doença, alguns tutores tentam fazer adaptações por conta própria.

Esse comportamento pode criar outro problema.

Reduzir proteína indiscriminadamente, retirar carboidratos, eliminar fontes de gordura ou modificar minerais sem calcular o restante da dieta pode produzir desequilíbrios nutricionais.

Por isso, uma Alimentação Natural voltada ao manejo de uma condição de saúde precisa continuar atendendo às necessidades nutricionais daquele cão.

Personalização não significa improvisação.

Significa modificar aquilo que precisa ser modificado sem comprometer todo o restante.

A dieta precisa acompanhar a evolução do cão

Existe ainda outro benefício importante da personalização: a possibilidade de reavaliar.

Uma dieta que atende às necessidades de um cão hoje pode precisar de ajustes no futuro.

O peso muda.

A idade avança.

Os exames mudam.

A condição clínica pode evoluir.

Medicamentos podem ser introduzidos ou retirados.

Além disso, o nível de atividade e até a aceitação dos alimentos podem mudar.

Portanto, quando utilizamos nutrição como parte do manejo de saúde, a dieta não deveria ser encarada como uma orientação eterna e imutável.

Ela precisa acompanhar o animal.

E se o tutor ainda não estiver preparado para migrar totalmente?

Nem sempre a mudança para Alimentação Natural acontece de uma vez.

Alguns tutores querem melhorar a alimentação, mas ainda não estão preparados para abandonar completamente a ração.

Nesse cenário, existe a possibilidade do Mix Feeding, que combina parte da alimentação convencional com Alimentação Natural de maneira planejada.

Já explicamos como essa estratégia funciona no artigo Mix Feeding para cães. Uma forma segura e inteligente de iniciar a Alimentação Natural.

No entanto, existe uma ressalva importante quando falamos de cães com doenças.

Se o animal utiliza uma dieta terapêutica ou segue um protocolo nutricional específico, adicionar outros alimentos sem orientação pode modificar justamente os nutrientes que o profissional está tentando controlar.

Por isso, em cães com condições clínicas, qualquer mudança precisa ser discutida com o veterinário responsável.

Alimentação Natural não é alternativa ao tratamento. Ela pode ser parte dele

Essa distinção resume todo o assunto.

Não devemos apresentar Alimentação Natural como substituta de medicamentos, exames ou acompanhamento veterinário.

Da mesma forma, não devemos reduzir o papel da nutrição a simplesmente fornecer calorias.

Dependendo da doença, aquilo que o cão come diariamente pode ajudar o profissional a controlar nutrientes específicos, adequar a ingestão energética, favorecer a hidratação e personalizar a dieta às necessidades daquele organismo.

Portanto, o verdadeiro benefício está na integração.

Veterinário, nutrição, acompanhamento e tutor precisam caminhar na mesma direção.

Ração medicamentosa não tem medicamento. Ela utiliza nutrição como ferramenta

Talvez agora o nome “ração medicamentosa” faça menos sentido.

Ela não trata porque existe um remédio escondido entre os ingredientes.

Na verdade, aquilo que muitos tutores chamam de ração medicamentosa é uma alimentação desenvolvida com características nutricionais específicas para auxiliar no manejo de determinadas condições.

E esse mesmo princípio nos ajuda a compreender o espaço da Alimentação Natural.

Quando existe formulação profissional, acompanhamento e conhecimento da condição clínica, podemos personalizar nutrientes e ingredientes para atender às necessidades daquele cão.

Na Natuzlev Dog acreditamos que alimentação precisa olhar para o indivíduo, não apenas para o diagnóstico.

Afinal, dois cães podem ter a mesma doença.

Mas continuam sendo dois organismos diferentes.

E quando a saúde exige cuidado individual, o que colocamos no pote também precisa fazer parte dessa conversa.

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